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Bem-estar no Teletrabalho: gerindo o Tecnostresse

O teletrabalho é o novo regime de trabalho em tempos de crise pandémica. A adaptação a esta realidade nem sempre é ou foi fácil e exige de cada um de nós, diariamente, abertura para novas aprendizagens e descobertas. Ao mesmo tempo, com a falta de fronteiras físicas entre o ambiente profissional e o espaço pessoal, somos desafiados a redescobrir e a redefinir limites e necessidades.

Neste “novo normal”, o uso intenso das tecnologias deixa-nos sujeitos a um tipo específico de stresse: o Tecnostresse. A sobrecarga de informação, de exigências, a complexidade cada vez maior do ambiente digital, fruto de atualizações e inovações constantes, a falta de limites claros no tempo e no espaço e a velocidade da informação e da comunicação, geram, por vezes, uma vivência subjetiva de tensão, a qual pode acarretar insegurança e incerteza com relação ao futuro e às próprias capacidades de fazer frente aos inúmeros desafios.

Algumas dicas poderão lhe ajudar a gerir melhor o dia a dia a teletrabalhar:

Domínio pessoal

  • Mantenha um estilo de vida saudável: cuide do seu sono, alimentação e pratique exercício, pelo menos 30 minutos diariamente
  • Identifique a melhor rotina para si e seja disciplinado
  • Busque o equilíbrio entre trabalho-vida pessoal: identifique e respeite as fronteiras no dia a dia. Evite sobrepor atividades de diferentes áreas da vida
  • Peça ajuda e conheça os seus limites: o diálogo é uma ferramenta fundamental
  • Defina os momentos de se desconectar
  • Cultive momentos de lazer/ relaxamento diariamente: esses momentos ajudam a reestabelecer os seus recursos
  • Mantenha-se firme com os cuidados: uso de máscaras, lavagem das mãos e distanciamento social
  • Seja seletivo com a exposição à informação. Defina os seus critérios

Domínio profissional

  • Defina e cumpra o seu horário de trabalho
  • Planeie a sua semana
  • Conheça e clarifique os seus objetivos
  • Pratique a assertividade: seja claro, não se vitimize ou culpabilize terceiros
  • Foque naquilo que controla e faça a sua parte
  • Baseie-se nas evidências: não faça inferências ou “sofra” com base no acho que…
  • Se tem dúvidas, pergunte, informe-se
  • Prepare-se com calma para as reuniões
  • Faça uma coisa de cada vez. Evite o multitasking
  • Foque no processo: crie planos de ação e avalie o seu progresso a cada etapa
  • Faça “check-ins” ao longo do dia: pare, perceba-se e pergunte-se o que precisa
  • Reserve um tempo de foco

Para cultivar o bem-estar digital

  • Converse com a sua equipa sobre bem-estar digital e em conjunto acordem as melhores práticas. Alinhe expectativas
  • Deixe claro quando está disponível. Utilize as mensagens de estado
  • Defina a sua rotina de uso da tecnologia, tenha tempos de pausa
  • Desligue as ferramentas de distração. Utilize apenas o necessário e verdadeiramente útil
  • Faça uma utilização inteligente das ferramentas digitais, adequando-as aos seus objetivos
  • Organize o volume de informação, criando regras para a gestão da sua caixa de email
  • Opte por um canal preferencial de receção e envio de informação sempre que possível e informe os seus colegas e clientes sobre o mesmo

Desafios

Situações com as quais nos defrontamos e sabemos que é preciso encontrar uma resposta/saída/solução. A resposta é emocional, cognitiva e comportamental. Sendo necessário estabelecer um bom alinhamento entre estas três dimensões.

Por exemplo, as mudanças e crises no ciclo de vida, como a passagem da infância para adolescência e desta para a vida adulta, a escolha profissional, o casamento, o nascimento dos filhos, o divórcio, os momentos de mudança de carreira, o desemprego, o climatério, a reforma, as situações de doença, etc… são fases/momentos específicos que nos desafiam: exigem de nós adaptação. Temos de aprender um novo papel, de adotar uma nova atitude, de fazer novas escolhas ou de sustentá-las e, ao mesmo tempo, lidar e gerir emoções como o medo, a angústia, a ansiedade, a tristeza, a raiva, o entusiasmo, a esperança… as quais despoletam crenças e atitudes.

Nestas situações somos desafiados a atualizar o nosso modo habitual de pensar, sentir e agir e a encontrar uma forma construtiva de lidar com a nova etapa de vida, consequência de um balanço positivo entre os ganhos e as perdas oriundos da nova experiência.

Portanto, a nossa atitude mental faz toda a diferença na maneira como agimos diante de um desafio. Ou seja, o modo como interpretamos a situação: Ameaça ou Oportunidade?

Diante de uma ameaça a nossa preocupação é com aquilo que não podemos perder. Gastamos energia física e/ou mental oferecendo resistência ao processo de adaptação. Por outro lado, quando estamos diante de uma oportunidade, o nosso foco está naquilo que podemos ganhar. Tornamo-nos mais flexíveis e abertos à experiência, ao novo. Somos mais criativos. Investimos a nossa energia em nos adaptarmos o melhor possível, em retirarmos o melhor da experiência.

O Mindset de Crescimento, ideia desenvolvida no livro Mindset: A Atitude Mental para o Sucesso, de Carol S. Dweck, é um exemplo de um modo construtivo/positivo de encarar os desafios. O foco na aprendizagem, no crescimento, faz com que interpretemos os erros, as dúvidas e as dificuldades do caminho, do processo de adaptação, como oportunidades de desenvolvimento.

Ou seja, no fundo, com este Mindset em ação não temos qualquer dúvida de que seremos capazes de crescer com o desafio, de aprender com a nova experiência, mesmo que este desenvolvimento não esteja visível para nós ou para os outros no imediato.

Há muitos desafios que vivemos e para os quais só reconhecemos (e os outros reconhecem) o efeito positivo que tiveram em nós passado algum tempo. Quem exercita o Mindset de Crescimento mantém o foco no seu próprio potencial e no potencial construtivo do desafio. Não nos sentimos ameaçados pelo medo de já termos alcançado o nosso melhor. Acreditamos que somos sempre capazes de mais e queremos mais! O conforto vem do sentimento de crescimento e não da “falsa” segurança provocada pela inércia.

O foco no futuro desejado é mais importante do que a recompensa imediata. Este futuro desejado é construído mentalmente e serve de quadro de visão para alimentar a persistência, o otimismo e a resiliência. Fatores essenciais de serem cultivados nos momentos de desafio.

Por fim, vale lembrar o quão importante é a Autoconsciência na construção deste quadro de visão. Pois, sem sermos honestos connosco próprios e sem conhecermos exatamente o nosso ponto de partida (interno e externo) não saberemos identificar concretamente as diferentes rotas possíveis, para nós, de aprendizagem. Também é preciso exercitar a humildade, de modo a pedir ajuda, quando necessário! Conseguir vencer sozinho (sem ajuda) os desafios não faz de nós mais vitoriosos. Pelo contrário, ganhamos o prazer de reconhecer e agradecer àqueles que estiveram do nosso lado e com os quais também aprendemos e nos desenvolvemos!

Portanto, qual o seu desafio hoje?

O que sabe sobre ele?

O que sabe sobre si diante de situações como esta?

O que sabe que funciona? E o que não funciona?

Quais os seus recursos, internos e/ou externos?

Diante deste desafio, o que quer alcançar?

Quando?

Que opções têm diante de si?

Quem pode lhe ajudar?

Como saberá que venceu o desafio?

Como espera crescer com o mesmo?

Artigo também publicado em:

http://issuu.com/progredir/docs/revista_progredir_108/31

http://www.revistaprogredir.com/blog-artigos…/desafios

Mudança: a única certeza que temos na vida!

O medo e o desejo de mudar fazem, ambos, parte da natureza humana. Mudamos todos os dias, o nosso corpo muda, as células renovam-se, o ar que respiramos muda… Se há uma certeza na vida é que não estamos imunes à mudança. Portanto, como podemos aceitá-la, enfrentá-la e aproveitá-la?!

A ideia da mudança pode para muitas pessoas trazer uma forte sensação de mal-estar, como se elas não fossem capazes de lidar com o novo, com o desafio e, em última instância, com o desconhecido.

Contudo, a proposta é que pensemos na mudança como algo com o qual estamos familiarizados. Mudamos todos os dias, desde que nascemos, entre essas mudanças há algumas que controlamos, há outras que não e, em todos os casos, somos levados a nos adaptar, a aceitar e à crescer a partir da mudança.

Não acredito que haja ninguém que não tenha obtido nada de bom ou útil com a experiência de mudar. Mesmo que as nossas expectativas não tenham sido correspondidas a 100%.

Por vezes, confundimos a frustração da nossa expectativa com o arrependimento acerca da mudança. Como se ela não tivesse valido de nada. Se exercitarmos a nossa perspetiva encontraremos algo de positivo na mudança. Podemos é não querer usufruir, reconhecer ou mesmo aproveitar este algo.

Pensar a mudança como uma oportunidade de desenvolvimento e de crescimento nos ajuda a perceber que ela não é uma ameaça. O balanço dos ganhos e das perdas não precisa de ser feito na lógica da dicotomia, mas sim, da transformação.

Como muitas mudanças podem ser decididas por nós, vale lembrar que este processo pode ser racionalizado, ou seja, pensado, planeado. E, no fundo, isto acontece mesmo que intuitivamente.

Antes de mudarmos, começamos a pensar sobre esta possibilidade. De seguida, elencamos alternativas, para posteriormente escolhermos um caminho e pormos em prática um plano de ação.

A questão é que por vezes nos culpamos ou questionamos a validade do nosso desejo de mudar, por acharmos que não deveríamos passar por nenhum tipo de recaída ou dúvida. No fundo esta também é uma fase que faz parte da mudança. Sentir-se ambivalente (querer e não querer), voltar atrás não são sinónimos de fraqueza. Só regredimos porque avançamos!

O importante é reconhecer aquilo que se sente e pensa e encontrar maneiras de resolver os dilemas aí presentes. Quando os mesmos se solucionam, entramos na fase de manutenção da mudança. Esta pode ser uma fase desafiadora, pois não está imune a novas recaídas ou a novos conflitos. Temos é de estar atentos a eles e conhecermos os seus motivadores e/ou gatilhos. O fundamental é sermos honestos connosco próprios para entendermos as nossas razões.

Para finalizar esta breve reflexão sobre a Mudança, vale lembrar que é comum as pessoas acharem que não têm o direito de mudar, que não podem mais mudar ou que não há alternativas. Ainda há aquelas que dizem não saberem o que querem ou que caminho seguir. Isto tudo é normal e precisa de ser ouvido. Por trás de muitas destas falas, há medos e crenças sobre a mudança e sobre a própria capacidade de lidar com as consequências da mudança que merecem ser desvelados pela própria pessoa.

Mudar é um ato natural, que envolve coragem, perspetiva, prudência, criatividade, flexibilidade, honestidade…. Entre muitas outras forças e qualidades humanas que estão dentro de nós à espera de serem exploradas e utilizadas!

Algumas Dicas para Pais

A parentalidade é um desafio e demanda crescimento psicológico contínuo por parte de cada um dos pais. Educar é uma experiência dinâmica de aprendizagem sobre si, sobre o outro e o mundo, com o potencial de ser promotora de desenvolvimento para todos os envolvidos, no âmbito familiar. Tendo em conta a responsabilidade das funções parentais, destaco alguns aspectos a ter em consideração no dia a dia e dou também algumas dicas para o fortalecimento da relação pais e filhos.

O principal sinal de saúde emocional para adultos, crianças e jovens é a vontade de viver, aprender, construir e relacionar-se. A espontaneidade, a alegria, a vitalidade, a curiosidade, a esperança, o otimismo, o interesse e o empenho nas atividades são excelentes indicadores de bem-estar mental. Óbvio que há dias em que não estamos no nosso melhor. Mas, o importante é perceber se estas características prevalecem na maior parte do tempo ou se existe alguma situação em específico que desencadeia algum tipo de retraimento.

Alguns Sinais de Alerta

Esteja atento/a a alguns sinais comportamentais, cognitivos e emocionais negativos do/a seu/a filho/a: irritabilidade, raiva, preocupação excessiva, insónia ou dificuldades para dormir, desordens alimentares (comer excessivo ou comer muito pouco), dificuldades na interação social ou isolamento, queda no rendimento escolar, dificuldades de concentração, ansiedade ou medos exagerados, tristeza sem motivo aparente, queixas físicas frequentes, desinteresse pelas atividades que habitualmente geravam interesse, etc.

Dicas para Pais

  • Promova oportunidades de diálogo com o/a seu/a filho/a: crie momentos apenas entre você e ele/a. Faça destes momentos uma rotina em vossas vidas, quando possível, no mínimo semanal. Escolham uma atividade lúdica, preferencialmente ao ar livre (ex: sair para tomar um gelado, fazer uma caminhada, etc.), que ambos gostem de partilhar, e que favoreça a comunicação aberta e sincera.
  • Partilhe sentimentos e opiniões positivas com o/a seu/a filho/a. Aproveite para dizer o quanto orgulha-se, ama e admira a pessoa que ele/a é e como você também aprende com ele/a.
  • Lembre-se de não interromper a vossa conversa com telemóveis ou aparelhos eletrónicos. Nestes momentos ambos devem estar focados na relação. Ela é o mais importante. Evite estar com pressa.
  • Procure garantir estas condições e não critique as atitudes do/a seu/a filho/a. Aceite que ele/a também está a se adaptar a esta nova experiência e pode oferecer alguma resistência inicialmente. O importante é irem tentando e percebendo quando, com que atividades, resulta melhor a vossa interação.
  • Nos momentos de diálogo, evite dar lições. Escute, tente compreender a lógica de pensamento do/a seu/a filho/a. Faça mais perguntas e dê menos respostas. Mostre interesse por ele/a.
  • Ajude o/a seu/a filho/a a exercer a capacidade de solução de problemas ao questionar: Como achas que podes resolver/lidar com isto? O que faz-te pensar que esta é a melhor solução?  Que outras alternativas poderias pensar? Qual o primeiro passo a dar?
  • Deixe claro que o/a seu/a filho/a pode pedir ajuda a si, sem medo. Ele/a não precisa sempre saber e acertar tudo à primeira. O importante é identificarem aquilo que o/a pode ajudar a conseguir, a se desenvolver. É assim que ele/a vai nutrindo o senso de competência pessoal. Valorize e reconheça os progressos alcançados.
  • Defina limites claros e as suas respetivas consequências quando não respeitados, nunca colocando em causa o amor que sente pelo/a seu/a filho/a. As consequências devem fazer sentido e devem promover a autorreflexão.
  • Estabeleça rotinas em casa e promova um estilo de vida saudável para toda a família, com prática desportiva, alimentação equilibrada, horas suficientes de sono, lazer, etc…
  • Respeite a necessidade de privacidade do/a seu/a filho/a e permita que ele/a gradualmente tenha autonomia, ajudando-o/a a adquirir ao longo do desenvolvimento independência física e emocional.

Recomendações finais

Mantenha em dia o acompanhamento da saúde do/a seu/a filho/a, respeitando as orientações médicas e, em caso de dúvidas, procure sempre um profissional de saúde da sua confiança.

Síndrome de Burnout

O Burnout é uma síndrome caracterizada por uma tríade específica de experiências emocionais: exaustão, sentida como a falta de capacidade física e psicológica para enfrentar o dia a dia; despersonalização e/ou cinismo, vivência marcada pelo sentimento de distanciamento do próprio eu e da própria realidade vivida, podendo cursar, no caso do cinismo, com os sentimentos de dissimulação, indiferença e desvalorização do contexto, incluindo todos os seus elementos físicos e sociais; baixo sentimento de realização ou eficácia pessoal, experiência subjetiva assinalada como a falta de capacidade para alcançar objetivos e responder aos desafios.

A Síndrome de Burnout foi descrita por Freudenberger e Malasch nos anos 70, tendo sido identificada em profissionais que tinham por missão o cuidado e a atenção a terceiros. Contudo, as investigações têm demonstrado que o Burnout pode acometer profissionais de diferentes campos de atuação, não só aqueles que têm por desafio ocupacional o cuidado e a proteção de outros.

O Burnout é uma síndrome que resulta do desgaste físico e psicológico em contexto de trabalho, seja ele qual for. É uma condição de mal-estar emocional fruto do excesso de exigências e da perceção de fragilidade e precariedade em termos de recursos, tanto internos quanto externos.

Os recursos externos são todos os elementos presentes no dia a dia do trabalho que facilitam o desempenho e a satisfação profissional, desde às condições em termos da infraestrutura organizacional, incluindo o acesso aos materiais adequados para a realização do trabalho, à qualidade das relações no contexto laboral, entre colegas, equipas, líderes e subordinados.

Os recursos internos, por sua vez, dizem respeito às características da pessoa que propiciam um melhor enfrentamento do quotidiano laboral. Entre elas, destacam-se os níveis de resiliência, otimismo e bem-estar pessoal.

A Síndrome de Burnout pode ser uma das consequências dos níveis elevados de stress, ou seja, o resultado da experiência subjetiva de desequilíbrio entre exigências e recursos.

Os primeiros sinais do stress podem ser identificados em termos comportamental, emocional e/ou cognitivo. Destacam-se os seguintes indicadores: a nível emocional, irritabilidade, ansiedade, mau humor, isolamento, cansaço, dificuldades com o sono, problemas no relacionamento interpessoal; a nível cognitivo, problemas na capacidade de concentração e/ou memória e na assimilação de novas aprendizagens, pensamento pessimista e dificuldade em termos de resolução de problemas; a nível comportamental, aquisição de hábitos nervosos, consumo de álcool e outras substâncias para sentir-se com maior capacidade para gerir os problemas, atitude violenta ou agressiva, dificuldades com a pontualidade, comportamento desastrado ou negligente.

A exposição contínua aos Riscos Psicossociais no trabalho, nomeadamente as exigências excessivas, a falta de controlo pessoal sobre a maneira como o trabalho é desempenhado, o apoio inadequado, os maus relacionamentos, o conflito de papéis e/ou a falta de transparência sobre os mesmos, as dificuldades na gestão das mudanças, relacionadas com a falta de clareza na transmissão da informação e a ausência de envolvimento no processo, e a violência por parte de terceiros, seja ela verbal ou física, podem aumentar as chances de adoecimento mental, isto é, podem levar à condição da Síndrome de Burnout. Todos estes fatores podem gerar a sensação de esgotamento dos recursos internos da pessoa e é este sentimento de esgotamento que está na raiz da experiência do Burnout.

Aos Riscos Psicossociais no trabalho somam-se os eventos e desafios que fazem parte, de maneira geral, do ciclo de vida das pessoas: dificuldades financeiras, doenças, perdas, nascimento de filhos, casamento, etc… Todos estes eventos demandam o uso de recursos.

Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, cabe a todos os empregadores garantirem condições laborais facilitadoras da saúde e do bem-estar no trabalho, assim como é dever dos colaboradores seguirem as prescrições recomendadas neste âmbito pela organização.

A Psicologia da Saúde Ocupacional dedica-se justamente ao estudo, avaliação e intervenção no âmbito da saúde psicológica do trabalhador, tendo por objetivo a promoção do bem-estar no trabalho e também a prevenção do stress e do mal-estar laboral, consequentemente a prevenção da Síndrome de Burnout, conhecida popularmente como a Síndrome do esgotamento.

Para prevenir esta condição é preciso ter atenção a todos os elementos mencionados e intervir sempre que possível nos mesmos, minimizando os seus efeitos nocivos e fortalecendo os recursos tanto a nível pessoal como organizacional.

Para além disso, é fundamental reconhecer os sinais de alerta do sofrimento emocional e buscar ajuda especializada sempre que se revele necessário.

Por fim, a manutenção de um estilo de vida saudável, caracterizado pela boa alimentação, pela prática regular de atividade física, pela ingestão suficiente de água potável, pelo bom sono e por experiências habituais de lazer, tudo isso aliado à vivência de relações positivas, é sempre um fator protetor da saúde e do bem-estar mental.

Artigo publicado também em:
https://issuu.com/progredir/docs/revista_progredir_090/34

O que é Coaching, afinal?

Coaching é um processo estruturado de reflexão-ação que parte da situação atual e tem como propósito o alcance do objetivo trazido pelo Coachee. O Coach tem o papel de facilitador neste processo.

O objetivo em Coaching deve ser SMART (específico, mensurável, alcançável, relevante e temporizável). É, no fundo, aquilo que se quer alcançar, via planos de ação, com o Coaching.

As estratégias para se atingir o objetivo são trabalhadas no momento em que se formula cada plano de ação nas sessões de Coaching. O plano não é prescrito pelo Coach. Só o Coachee sabe o que é viável para si tendo em conta o seu contexto e os seus recursos. Daí a importância da reflexão em Coaching. É esta reflexão que dará indicação do melhor caminho a percorrer rumo ao progresso.

No momento da construção do plano são elencadas todas as opções disponíveis e viáveis e a formulação deste começa com a escolha de uma tarefa, definida em termos de o que, como e quando.  Estas tarefas do plano referem-se a comportamentos específicos. Em cada sessão de Coaching um novo plano é re/desenhado, o que manterá o Coachee em movimento para continuar o seu caminho evolutivo, cujo foco é  o seu objetivo.

O caminho em Coaching pode sempre ser alterado, caso o Coachee considere necessário reavaliar as suas estratégias ou seu objetivo. Ter flexibilidade em Coaching para considerar outras alternativas, quando algo não está a funcionar ou quando a situação atual se altera, é fundamental. Novas circunstâncias na vida do Coachee podem, inclusive, exigir a redefinição do objetivo.

Usando uma metáfora simples para compreendermos isto: o objetivo é o destino final da viagem. O plano de ação é a trajetória escolhida. Exemplo: quando colocamos uma morada no google maps temos várias opções de trajetórias e de meios de locomoção. A alternativa que escolhermos é aquela que vamos seguir. Entretanto, as outras opções continuam válidas e pudemos optar por alguma delas a qualquer momento, lembrando que neste caso, o tempo do percurso será recalculado e os recursos necessários poderão mudar.

A análise do passado em Coaching  é outro ponto que pode ser muito útil à reflexão: pois do passado  retiram-se aprendizagens e identificam-se recursos. Este é o mindset do Coaching.

Como fazemos isto?

Através de perguntas como: o que já aprendeu sobre isto? O que retira desta experiência? O que já fez bem e pode aplicar nesta situação agora? O que não fez tão bem e hoje sabe que não vale mais a pena repetir? O que pode fazer diferente a partir de agora? Etc…

Por fim,  vale lembrar que Coaching é autorresponsabilização e este princípio deve estar presente em todas as fases do processo. Por isso, é muito importante explicar como funciona o Coaching. Muitas vezes, confunde-se funcionamento com eficácia. O Coaching só será eficaz se o Coachee introjetar este funcionamento, se operar durante o processo se responsabilizando pelo mesmo, por suas decisões e ações.

 

A Psicologia Positiva e o seu contributo à infância

A Psicologia Positiva é uma nova disciplina científica da Psicologia que se dedica ao estudo das características positivas das pessoas e instituições com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e prevenir patologias. Tem por objetivo principal a promoção do bem-estar e do florescimento humano.

Através da compreensão daquilo que está bem no indivíduo, a Psicologia Positiva ampliou o foco da Psicologia,  tradicionalmente restrito ao entendimento, correção e tratamento das fraquezas e do mal-estar – para incluir uma perspectiva mais otimista acerca do potencial humano.

O cultivo da autenticidade, do crescimento pessoal, do significado e da excelência fazem parte da natureza inata do ser humano e são ingredientes fundamentais para a felicidade.

É com base neste olhar sobre a pessoa, sempre em desenvolvimento, que a Psicologia Positiva se revelou uma importante área a se aplicar à infância.

Perceber o desenvolvimento como um fenómeno único, individual e idiossincrático, que merece acontecer, para o seu pleno florescer, num ambiente positivo, que reconhece e cultiva as forças e virtudes humanas – é o principal contributo da Psicologia Positiva aplicada à infância.

Todos aqueles que convivem com crianças, que são responsáveis pela sua educação e desenvolvimento, podem aprender e aplicar muitos destes conhecimentos no quotidiano.

Utilizar a Psicologia Positiva no dia a a dia com a criança significa aprender a estar consciente e a reconhecer as forças e virtudes desta, com ganhos em termos da qualidade da comunicação e da relação.

Para além disso, nós adultos também temos o nosso conjunto único de forças e podemos usar a nossa consciência acerca do nosso próprio potencial de desenvolvimento e crescimento para construir contextos educacionais  e parentais florescentes.

Riscos Psicossociais e Saúde Psicológica Ocupacional

As investigações na área da Psicologia da Saúde Ocupacional têm demonstrado a importância de se avaliar os Riscos Psicossociais a que estão expostos os trabalhadores nas organizações.

Diante das mudanças económicas e de uma realidade cada vez mais instável e dinâmica no âmbito do trabalho, a temática da promoção e manutenção do bem-estar dos colaboradores ganha relevo, tendo em vista o seu impacto nas relações profissionais, na produtividade, na qualidade da execução dos processos e na própria saúde, física e mental das pessoas.

O trabalho pode ser vivido como fonte de realização ou sofrimento e as organizações, em parceria com os colaboradores, têm um papel ativo e significativo em promover um ambiente salutogênico, fértil no que se refere ao desenvolvimento do melhor potencial das pessoas.

Quanto mais saudável é o ambiente organizacional melhores são os resultados obtidos, em termos de engagement, resolução de problemas, flexibilidade, assiduidade e alinhamento com os objetivos da empresa.

Um ambiente organizacional saudável é promotor de sentido e de um clima emocional de confiança, colaboração, segurança e respeito. A qualidade do trabalho desenvolvido pelas pessoas depende da satisfação de necessidades psicológicas, que interferem directamente na estabilidade do bem-estar laboral.

Somente tendo em consideração a importância da dimensão psicossocial do trabalho e os seus efeitos sobre o bem-estar é possível estabelecer com os colaboradores uma parceria construtiva, em que todos na organização ganham e se desenvolvem.

A avaliação de Riscos Psicossociais é, portanto, o primeiro passo para perceber em que medida as necessidades humanas estão a ser satisfeitas nas organizações. A partir da compreensão do grau de exposição a estes riscos é possível construir um plano de intervenção com vistas à promoção de um ambiente de trabalho mais saudável!

O que é ser Competente Emocionalmente?

Ser inteligente emocionalmente, ter o potencial de traduzir bem sentimentos em si mesmo e/ou no outro não significa necessariamente que se é competente, no que diz respeito a esta habilidade.

Ser competente em termos emocionais significa ser capaz de pensar, perceber e, a partir disto, gerir os próprios sentimentos, emoções (e atitudes), incluindo o compreender a linguagem emocional do outro – a qual é fundamentalmente não verbal.

Essa capacidade de alinhar aquilo que se diz àquilo que se demonstra gestualmente, através de pequeninas expressões, ricas de mensagens emocionais (direção do olhar, qualidade do sorriso, posição do corpo, ritmo respiratório, etc) é uma grande habilidade, que exige prática, a qual inclui, segundo Daniel Goleman, alguns elementos fundamentais: autoconsciência, autocontrolo, consciência social e manejo das relações.

Autoconsciência
A autoconsciência diz respeito ao conhecimento de si, dos próprios pensamentos, motivações, atitudes e afetos. Quantas vezes são feitas e ditas coisas completamente contrárias àquilo que verdadeiramente se acredita ou se sente, porém sem qualquer consciência desta discrepância.

Autocontrolo
O autocontrolo se refere à capacidade de se conter, no sentido de reconhecer o que se sente e, mesmo diante de um grande desconforto ou de uma grande alegria, pensar e agir conforme o que se pretende como razoável/ajustado à situação e objetivos da pessoa.

Consciência Social
A consciência social é a habilidade de perceber que o outro também possui um mundo mental, cheio de emoções, pensamentos, desejos e expectativas. Não somos todos movidos e mobilizados pelas mesmas interpretações do mundo.

Manejo Eficaz
O manejo eficaz das relações é o resultado do exercício de todas as habilidades acima destacadas. Significa a capacidade de diálogo sincero, porém respeitoso. É o saber se colocar sem culpabilizar, sem intimidar, sem se vitimizar… É o estar presente “de corpo e alma” demonstrando interesse e boa vontade para encontrar uma solução sincera e construtiva.

Somente com autoconhecimento, autocontrolo e consciência social é possível, verdadeiramente, se tornar competente emocionalmente e, como todas as outras competências, esta também precisa de apoio, instrução, desafio e experiência.

Sugiro o seguinte exercício para desenvolver a competência emocional:

Durante uma semana preste atenção em si mesmo e numa folha papel, dividida em três colunas, tome notas:

Na primeira coluna, de tudo aquilo que pensa ou sente, mas que considera difícil de conter (de perdoar, de aceitar, de controlar).

Na segunda coluna, escreva ao lado de cada emoção ou pensamento, que consequências a expressão irrefletida/impulsiva desses conteúdos poderia ter no seu contexto de vida.

Na terceira coluna, escreva o que diria, sentiria ou viveria se isto não lhe mobilizasse tanto. Como agiria, após ponderar as suas emoções e pensamentos?

Qual o limite do positivo?

Num mundo onde tudo tem de ser positivo, devemos pensar positivo, sentir positivo, como sermos verdadeiramente honestos com a nossa humanidade? A nossa psicodinâmica não é positiva nem negativa, é complexa. E é o reconhecimento disto que nos permite pôr em ação o desenvolvimento pessoal.

Tem me angustiado muito o apelo sem crítica à atitude positiva, como se pudéssemos apertar um botão dentro de nós, de acordo com as indicações de um outro, e simplesmente anular todos os conflitos, todas as questões individuais, que surgem com base no vivenciar da nossa própria história de vida.

Subscrevo integralmente o Dr. Micheael Mahoney no seu livro Processos Humanos de Mudança – As bases científicas da psicoterapia, quando nos ensina que “(…) ajudar é consideravelmente mais desafiador do que muitos livros e manuais de tratamento possam admitir. As miraculosas soluções prometidas pelas prescrições de felicidade populares são frequentemente um insulto à dor, à luta e à perseverança demonstrada por muitos clientes de psicoterapia.”

O perigo do culto cego ao positivo está no silenciar da dor, das dificuldades, das dúvidas, pois se nem no âmbito do desenvolvimento pessoal, que é íntimo e confidencial, pudermos falar sem censura e ser escutados, independentemente do conteúdo, como cresceremos e alcanceremos mais saúde mental?

Não adianta explorar potenciais, quando há uma bagagem imensa de culpa e hostilidade relacionada com os mesmos. Os consultórios não se podem tornar mais um local onde os clientes vão dizer aquilo que o outro, terapeuta, espera ouvir. O ambiente clínico e a relação terapêutica são muito mais desafiadores do que o mero incentivo à autenticidade, conforme os ideais do terapeuta, e envolvem um trabalho conjunto e árduo de escuta e de acolhimento.

Somente confrontando-nos com os nossos erros e dificuldades, reconhecendo-os e compreendendo-os, teremos mais força e resiliência.
Portanto, como terapeutas, não calemos a dor.