O que é Coaching, afinal?

 

Coaching é um processo estruturado de reflexão-ação que parte da situação atual e tem como propósito o alcance do objetivo trazido pelo Coachee. O Coach tem o papel de facilitador neste processo.

O objetivo em Coaching deve ser SMART (específico, mensurável, alcançável, relevante e temporizável). É, no fundo, aquilo que se quer alcançar, via planos de ação, com o Coaching.

As estratégias para se atingir o objetivo são trabalhadas no momento em que se formula cada plano de ação nas sessões de Coaching. O plano não é prescrito pelo Coach. Só o Coachee sabe o que é viável para si tendo em conta o seu contexto e os seus recursos. Daí a importância da reflexão em Coaching. É esta reflexão que dará indicação do melhor caminho a percorrer rumo ao progresso.

No momento da construção do plano são elencadas todas as opções disponíveis e viáveis e a formulação deste começa com a escolha de uma tarefa, definida em termos de o que, como e quando.  Estas tarefas do plano referem-se a comportamentos específicos. Em cada sessão de Coaching um novo plano é re/desenhado, o que manterá o Coachee em movimento para continuar o seu caminho evolutivo, cujo foco é  o seu objetivo.

O caminho em Coaching pode sempre ser alterado, caso o Coachee considere necessário reavaliar as suas estratégias ou seu objetivo. Ter flexibilidade em Coaching para considerar outras alternativas, quando algo não está a funcionar ou quando a situação atual se altera, é fundamental. Novas circunstâncias na vida do Coachee podem, inclusive, exigir a redefinição do objetivo.

Usando uma metáfora simples para compreendermos isto: o objetivo é o destino final da viagem. O plano de ação é a trajetória escolhida. Exemplo: quando colocamos uma morada no google maps temos várias opções de trajetórias e de meios de locomoção. A alternativa que escolhermos é aquela que vamos seguir. Entretanto, as outras opções continuam válidas e pudemos optar por alguma delas a qualquer momento, lembrando que neste caso, o tempo do percurso será recalculado e os recursos necessários poderão mudar.

A análise do passado em Coaching  é outro ponto que pode ser muito útil à reflexão: pois do passado  retiram-se aprendizagens e identificam-se recursos. Este é o mindset do Coaching.

Como fazemos isto?

Através de perguntas como: o que já aprendeu sobre isto? O que retira desta experiência? O que já fez bem e pode aplicar nesta situação agora? O que não fez tão bem e hoje sabe que não vale mais a pena repetir? O que pode fazer diferente a partir de agora? Etc…

Por fim,  vale lembrar que Coaching é autorresponsabilização e este princípio deve estar presente em todas as fases do processo. Por isso, é muito importante explicar como funciona o Coaching. Muitas vezes, confunde-se funcionamento com eficácia. O Coaching só será eficaz se o Coachee introjetar este funcionamento, se operar durante o processo se responsabilizando pelo mesmo, por suas decisões e ações.

 

A Psicologia Positiva e o seu contributo à infância

A Psicologia Positiva é uma nova disciplina científica da Psicologia que se dedica ao estudo das características positivas das pessoas e instituições com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e prevenir patologias. Tem por objetivo principal a promoção do bem-estar e do florescimento humano.

Através da compreensão daquilo que está bem no indivíduo, a Psicologia Positiva ampliou o foco da Psicologia,  tradicionalmente restrito ao entendimento, correção e tratamento das fraquezas e do mal-estar – para incluir uma perspectiva mais otimista acerca do potencial humano.

O cultivo da autenticidade, do crescimento pessoal, do significado e da excelência fazem parte da natureza inata do ser humano e são ingredientes fundamentais para a felicidade.

É com base neste olhar sobre a pessoa, sempre em desenvolvimento, que a Psicologia Positiva se revelou uma importante área a se aplicar à infância.

Perceber o desenvolvimento como um fenómeno único, individual e idiossincrático, que merece acontecer, para o seu pleno florescer, num ambiente positivo, que reconhece e cultiva as forças e virtudes humanas – é o principal contributo da Psicologia Positiva aplicada à infância.

Todos aqueles que convivem com crianças, que são responsáveis pela sua educação e desenvolvimento, podem aprender e aplicar muitos destes conhecimentos no quotidiano.

Utilizar a Psicologia Positiva no dia a a dia com a criança significa aprender a estar consciente e a reconhecer as forças e virtudes desta, com ganhos em termos da qualidade da comunicação e da relação.

Para além disso, nós adultos também temos o nosso conjunto único de forças e podemos usar a nossa consciência acerca do nosso próprio potencial de desenvolvimento e crescimento para construir contextos educacionais  e parentais florescentes.

 

 

Riscos Psicossociais e Saúde Psicológica Ocupacional

As investigações na área da Psicologia da Saúde Ocupacional têm demonstrado a importância de se avaliar os Riscos Psicossociais a que estão expostos os trabalhadores nas organizações.

Diante das mudanças económicas e de uma realidade cada vez mais instável e dinâmica no âmbito do trabalho, a temática da promoção e manutenção do bem-estar dos colaboradores ganha relevo, tendo em vista o seu impacto nas relações profissionais, na produtividade, na qualidade da execução dos processos e na própria saúde, física e mental das pessoas.

O trabalho pode ser vivido como fonte de realização ou sofrimento e as organizações, em parceria com os colaboradores, têm um papel ativo e significativo em promover um ambiente salutogênico, fértil no que se refere ao desenvolvimento do melhor potencial das pessoas.

Quanto mais saudável é o ambiente organizacional melhores são os resultados obtidos, em termos de engagement, resolução de problemas, flexibilidade, assiduidade e alinhamento com os objetivos da empresa.

Um ambiente organizacional saudável é promotor de sentido e de um clima emocional de confiança, colaboração, segurança e respeito. A qualidade do trabalho desenvolvido pelas pessoas depende da satisfação de necessidades psicológicas, que interferem directamente na estabilidade do bem-estar laboral.

Somente tendo em consideração a importância da dimensão psicossocial do trabalho e os seus efeitos sobre o bem-estar é possível estabelecer com os colaboradores uma parceria construtiva, em que todos na organização ganham e se desenvolvem.

A avaliação de Riscos Psicossociais é, portanto, o primeiro passo para perceber em que medida as necessidades humanas estão a ser satisfeitas nas organizações. A partir da compreensão do grau de exposição a estes riscos é possível construir um plano de intervenção com vistas à promoção de um ambiente de trabalho mais saudável!

O que é ser Competente Emocionalmente?

Ser inteligente emocionalmente, ter o potencial de traduzir bem sentimentos em si mesmo e/ou no outro não significa necessariamente que se é competente, no que diz respeito a esta habilidade.

Ser competente em termos emocionais significa ser capaz de pensar, perceber e, a partir disto, gerir os próprios sentimentos, emoções (e atitudes), incluindo o compreender a linguagem emocional do outro – a qual é fundamentalmente não verbal.

Essa capacidade de alinhar aquilo que se diz àquilo que se demonstra gestualmente, através de pequeninas expressões, ricas de mensagens emocionais (direção do olhar, qualidade do sorriso, posição do corpo, ritmo respiratório, etc) é uma grande habilidade, que exige prática, a qual inclui alguns elementos fundamentais: autoconsciência, autocontrolo, consciência social e manejo das relações.

Autoconsciência
A autoconsciência diz respeito ao conhecimento de si, dos próprios pensamentos, motivações, atitudes e afetos. Quantas vezes são feitas e ditas coisas completamente contrárias àquilo que verdadeiramente se acredita ou se sente, porém sem qualquer consciência desta discrepância.

Autocontrolo
O autocontrolo se refere à capacidade de se conter, no sentido de reconhecer o que se sente e, mesmo diante de um grande desconforto ou de uma grande alegria, pensar e agir conforme o que se pretende como razoável/ajustado à situação e objetivos da pessoa.

Consciência Social
A consciência social é a habilidade de perceber que o outro também possui um mundo mental, cheio de emoções, pensamentos, desejos e expectativas. Não somos todos movidos e mobilizados pelas mesmas interpretações do mundo.

Manejo Eficaz
O manejo eficaz das relações é o resultado do exercício de todas as habilidades acima destacadas. Significa a capacidade de diálogo sincero, porém respeitoso. É o saber se colocar sem culpabilizar, sem intimidar, sem se vitimizar… É o estar presente “de corpo e alma” demonstrando interesse e boa vontade para encontrar uma solução sincera e construtiva.

Somente com autoconhecimento, autocontrolo e consciência social é possível, verdadeiramente, se tornar competente emocionalmente e, como todas as outras competências, esta também precisa de apoio, instrução, desafio e experiência.

Sugiro o seguinte exercício para desenvolver a competência emocional:

Durante uma semana preste atenção em si mesmo e numa folha papel, dividida em três colunas, tome notas, na primeira coluna, de tudo aquilo que pensa ou sente, mas que considera difícil de conter (de perdoar, de aceitar, de controlar). Escreva ao lado desta emoção ou pensamento, na outra coluna, que consequências tudo isso, que se passa de modo intenso dentro de si, poderia ter se viesse à tona de modo irrefletido. Na terceira coluna escreva o que diria, sentiria ou viveria se isto não lhe mobilizasse tanto.

Qual o limite do positivo?

Num mundo onde tudo tem de ser positivo, devemos pensar positivo, sentir positivo, como sermos verdadeiramente honestos com a nossa humanidade? A nossa psicodinâmica não é positiva nem negativa, é complexa. E é o reconhecimento disto que nos permite por em ação o desenvolvimento pessoal.

Tem me angustiado muito o apelo sem crítica à atitude positiva, como se pudéssemos apertar um botão dentro de nós, de acordo com as indicações de um outro, e simplesmente anular todos os conflitos, todas as questões individuais, que surgem com base no vivenciar da nossa própria história de vida.

Subscrevo integralmente o Dr. Micheael Mahoney no seu livro Processos Humanos de Mudança – As bases científicas da psicoterapia, quando nos ensina que “(…) ajudar é consideravelmente mais desafiador do que muitos livros e manuais de tratamento possam admitir. As miraculosas soluções prometidas pelas prescrições de felicidade populares são frequentemente um insulto à dor, à luta e à perseverança demonstrada por muitos clientes de psicoterapia.”

O perigo do culto cego ao positivo está no silenciar da dor, das dificuldades, das dúvidas, pois se nem no âmbito do desenvolvimento pessoal, que é íntimo e confidencial, pudermos falar sem censura e ser escutados, independentemente do conteúdo, como cresceremos e alcanceremos mais saúde mental?

Não adianta explorar potenciais, quando há uma bagagem imensa de culpa e hostilidade relacionada com os mesmos. Os consultórios não se podem tornar mais um local onde os clientes vão dizer aquilo que o outro, terapeuta, espera ouvir. O ambiente clínico e a relação terapêutica são muito mais desafiadores do que o mero incentivo à autenticidade, conforme os ideais do terapeuta, e envolvem um trabalho conjunto árduo de escuta e de acolhimento.

Somente confrontando-nos com os nossos erros e dificuldades, reconhecendo-os e compreendendo-os, teremos mais força e resiliência.
Portanto, como terapeutas, não calemos a dor.

A Felicidade nas Relações Amorosoas

A felicidade nas relações amorosas pode ser interpretada de muitas maneiras, mas de modo geral espera-se que:

A felicidade seja um estado de satisfação, em que predominam afetos positivos (como alegria, prazer e conforto) e/ou

A felicidade significa um conjunto de experiências e atitudes que levam ao crescimento pessoal e do casal, à partilha e construção de significados, à autenticidade da relação e a um projeto de vida comum.

O ideal é que uma relação saudável englobe as duas dimensões: a dimensão da satisfação, pois é preciso que a relação seja boa de ser vivida, seja fonte de prazer, de alegrias, de tranquilidade, assim como é fundamental que englobe a dimensão do crescimento. Esta segunda dimensão, alimentada por certos nutrientes, relacionados com o desenvolvimento psicológico do casal, promoverá a sua longevidade construtiva.

Mas, antes de entender quais são esses ingredientes, é preciso perceber que cada relação é única e que cada casal construirá a sua própria história, com base em características pessoais, experiências, objetivos e desafios partilhados.

Uma relação feliz é, no fundo, uma relação florescente, que promove o desenvolvimento daquilo que há de melhor em cada um dos envolvidos. Fortalecendo, assim, verdadeiramente os laços de amor num sentido mais amplo. Ao longo da vida a dois existirão, inevitavelmente, dificuldades, que podem ser percebidas ou como um empecilho para a felicidade ou como fonte de união, de descoberta recíproca, de crescimento. Cada casal e cada pessoa na relação decidirá como interpretar esses momentos.

As relações íntimas na vida adulta, que acontecem principalmente no âmbito das relações amorosas, oferecem a rica oportunidade de conhecer mais verdadeiramente o outro e também de dar a conhecer-se em profundidade. Trata-se de uma parceria que tem todo o potencial para ser forte, segura, rica de significados e feliz! Para isso acontecer, ambas as partes devem estar disponíveis.

Esta disponibilidade verifica-se quando demonstramos:

Dedicação

Quando dedicamos o nosso tempo ao outro, prestando atenção naquilo que ele tem a dizer, no que deseja partilhar, disponibilizando a nossa companhia. Surpreendendo-o com pequenos gestos de carinho no dia a dia.

Interesse

Quando estamos verdadeiramente empenhados em conhecer o outro, aquilo que ele gosta, o que ele faz, o seu dia a dia, os seus medos, receios, insatisfações, alegrias, a sua história. Para cultivar o interesse, é preciso ter tempo para o diálogo, sem que este seja constantemente perturbado pelo telemóvel, pelas rede sociais, pela televisão…

Confiança

A confiança  é fruto do respeito ao que se é combinado. Todos os casais tem as suas regras de funcionamento e é preciso respeitá-las. É fundamental ser coerente e agir conforme o que se fala.

Companheirismo

Estar junto do outro quando sabemos que ele espera pela nossa companhia e apoio. Demonstrar interesse em partilhar este momento.

Paciência

Entender que todos nós nem sempre estamos bem dispostos e que cada um tem o seu tempo para se realinhar. Tentar perceber como o outro funciona e procurar respeitar esse limite. Às vezes, são pequeninas coisas pelas quais não vale a pena se chatear, pois o lado bom da relação é imenso. Quanto mais alimentamos um padrão de reclamação, mais ele cresce e menos espaço sobra para vermos quanto tempo e energia perdemos com implicâncias. O outro também perceberá isso quando mudarmos de atitude.

Bom humor

Dar boas gargalhadas juntos faz muito bem a qualquer relação. Cultivar momentos de espontaneidade e brincar, até com os problemas, só traz alívio e cumplicidade.

Abertura

Estar disponível para experimentar coisas novas, sem julgar, sem criticar, sem levantar barreiras a priori. Entender e acolher aquilo que o outro ou você mesmo deseja.

Empatia

Colocar-se no lugar do outro e tentar perceber a sua perspectiva das coisas. Somos todos diferentes e nem sempre sentimos e reagimos da mesma maneira.

Autoconhecimento

Tentar compreender melhor o que se passa connosco interiormente, antes de partilhar de modo impulsivo os nossos sentimentos e pensamentos. Mais vale refletir e se perceber a si mesmo, ao invés de agredir, acusar, criticar, pois muitas vezes estamos a descarregar e a projetar questões que são nossas.

Carinho e gentileza

Estas atitudes tem que ser um hábito. Não podemos relaxar e descuidar do outro, da relação. Prestar atenção no próprio tom de voz, no uso de imperativos, nas próprias posturas, pois o corpo também fala e muitas vezes estamos a dar as costas ao outro sem perceber.

São tantos os ingredientes necessários para a felicidade conjugal que só o amor apaixonado não basta.

O desejo de ser feliz para sempre é um ideal que pode e merece ser cultivado no dia a dia, com muito empenho e com atitudes, maduras e transformadoras!

Burnout e função parental: quem cuida também precisa ser cuidado e não “padecer no paraíso”

A síndrome de Burnout é uma condição patológica caracterizada por esgotamento mental e físico. Mas, como esta condição pode acontecer no contexto da dedicação parental? Ou seja, o cuidado dos filhos e a dedicação à vida familiar podem gerar esgotamento?

Sim, podem, principalmente quando o cuidador exerce as funções materna e/ou paterna sem qualquer apoio ou parceria emocional. Quando estas funções viram responsabilidades exclusivas de uma só pessoa. Neste caso, não importa se a pessoa em questão é do sexo feminino ou masculino, mãe ou pai biológicos. As funções parentais são extremamente exigentes tanto do ponto de vista físico como emocional.

Cuidar envolve estar constantemente atento e alerta à comunicação verbal e não verbal  do outro, de modo a atender às suas necessidades físicas/corporais (alimentar, banhar, fazer adormecer, etc) e relacionais (escutar, compreender, antecipar, prever, dialogar, acalmar, incentivar, etc).

Infelizmente o cuidado dos filhos e a dedicação à vida doméstica são actividades pouco valorizadas, no que se refere à sua carga física e psíquica, tendo por crença subliminar a ideia de que tudo o que é feito com amor não custa. O cansaço e as exigências emocionais são vistos nessa óptica como um padecer que é ao mesmo tempo reconfortante… é um “padecer no paraíso”.

A queixa por parte daquele que exerce as funções parentais, no âmbito das responsabilidades para com a família, a casa e os filhos, é geralmente mal interpretada gerando culpa em quem pede ajuda e reclama por apoio, atenção, companheirismo e cuidado. Há pouco diálogo franco e aberto nas relações para entender o outro na sua dor, nos momentos em que ele sinaliza que está no limite dos seus recursos internos. Estes podem ser postos à prova  inclusive por tocarem em pontos difíceis, relativos à própria história de maternagem e/ou paternagem deste cuidador.

A experiência de se sentir esgotado ou incapaz é constantemente menosprezada nesses contextos, como se aquele que sofre e pede socorro estivesse a falhar, no que diz respeito ao desempenho de uma função tão nobre e supostamente natural. Alguns até dizem que nascemos programados para amar e, nesta lógica, quando os conflitos aparecem ganham uma conotação de fracasso e má vontade. Interpretação que leva a brigas e discussões infrutíferas, ao invés de servirem de oportunidade para o autoconhecimento e crescimento pessoal e do casal/família.

A tarefa de amar, zelar e apresentar o mundo implica desafios que mudam ao longo do tempo, pois reflectem as demandas do próprio desenvolvimento das crianças, do casal, das pessoas enquanto indivíduos e da família.

Afinal, quem cuida também precisa ser cuidado, atendido em suas necessidades físicas e emocionais. Porém, somente cada um pode falar de si e expressar aquilo que precisa. Não há receitas para apoiar devidamente. O melhor caminho é estar disponível, acolher e pô-se em ação, respeitando e dialogando sobre o que se sente e é sentido. Não basta apenas cumprir um check list de tarefas, é preciso estar junto e ser companheiro também emocionalmente.

O desafio das relações difíceis no trabalho

As relações no trabalho são um desafio, gerador de muitas aprendizagens. Saber relacionar-se é uma habilidade que, quando exercitada, nos ajuda a equilibrar os níveis de stress e também a melhorar o foco, o empenho e o bem-estar.

A maioria das pessoas já sentiu dificuldades com o chefe, subordinados, clientes e colegas e os métodos geralmente eleitos para ultrapassar estas situações são a queixa e/ou a vitimização.

Em geral, assumimos o problema como responsabilidade exclusiva do outro e esperamos que ele se modifique, deixando de lado as nossas ferramentas comportamentais, emocionais e cognitivas para nos transformar, o que permitiria minimizar ou até anular o impacto negativo destas situações.

Para nutrirmos relações positivas no trabalho é preciso que tenhamos consciência das nossas atitudes, do que nos motiva, do que nos frustra, do que ambicionamos e de como podemos contribuir de maneira mais ajustada com as nossas expectativas e as do outro. Também é fundamental usar um modo de comunicação claro, objectivo e orientado para as acções, sem fazer avaliações sobre a subjectividade/intenções da pessoa.

Ou seja, antes de buscarmos as contradições no comportamento do outro, primeiro observemo-nos e pensemos se não estamos a ser contraditórios em nosso discurso e em nossas atitudes.

Muitas vezes, quando trabalhamos em equipa, temos valores divergentes ou ainda estes valores complementam-se de maneira saturada, causando conflitos. Sem contar que todos somos humanos e temos necessidades subjectivas por vezes semelhantes: de atenção, de destaque, de reconhecimento, de liderança.

A atitude de auto-observação e observação do outro promove insights em prol do encontro de um balanço mais saudável, facilitador de uma parceria mais construtiva.

Para além disso, há sempre um plano, mesmo que inconsciente, para a nossa trajectória profissional e projectamos, com frequência, numa dada situação ou pessoa a responsabilidade por cumpri-lo ou impedi-lo. Convém estarmos conscientes daquilo que buscamos e queremos construir!

É óbvio que há situações em que este ajuste é mais complicado e que não depende somente da nossa inteligência social e emocional ou mesmo da nossa competência ou “boa vontade”. Não é destes casos que estamos a tratar aqui. Estamos a reflectir sobre situações comuns que, antes mesmo de tentarmos resolver ou dar a nossa contribuição, cruzamos os braços e assumimos que nada podemos fazer.

Será?

Coloque-se em acção:

Invista no autoconhecimento: descubra os seus potenciais e qualidades construtivas, as suas forças de carácter, as suas habilidades e também as suas fraquezas.

Você é o principal responsável pelas suas escolhas e atitudes: não espere que a mudança/iniciativa venha  do outro, faça você a sua parte.

Pergunte-se sobre o que lhe motiva, o que lhe frustra, o que ambiciona: como pode contribuir para corresponder às suas expectativas, em harmonia com o meio?

Observe-se e responda francamente para si mesmo: tem sido coerente em seu discurso e em suas atitudes?

Lembre-se: temos necessidades subjectivas por vezes semelhantes às necessidades do outro: de atenção, de destaque, de reconhecimento, de liderança… Queremos, muitas vezes, o mesmo…

Temos um plano, mesmo que inconsciente, para a nossa trajectória profissional: você sabe qual é o seu e      como se empenha para colocá-lo, de maneira construtiva, em acção?

Todas estas reflexões levam ao crescimento pessoal e profissional!

 

Meditação com crianças para hora de dormir!

A meditação com crianças é uma prática que auxilia o autoconhecimento e o autocontrolo emocional. Aprender a se acalmar, relaxar e aquietar corpo e mente, através de visualizações e controle consciente da respiração, promove benefícios a nível do bem-estar físico e mental e das funções cognitivas.

Para além destes ganhos, quando os pais ou cuidadores participam desta experiência, o vínculo emocional, os sentimentos de segurança e o amor também se fortalecem.

Partilho uma meditação, para a hora de dormir, criada por mim e que pode ser adaptada à linguagem e expressão de cada família. Aproveitem e criem juntos novas meditações para o dia a dia!

É importante, no momento da prática, que estejam num local calmo, tranquilo e confortável. A criança preferencialmente deve estar na caminha dela, deitada com a barriga para cima e as mãos estendidas ao longo do corpo.

A meditação deve ser conduzida sem pressa ou distracções (desliguem ou silenciem os telemóveis!).

Meditação para a hora de dormir!

Sou feliz!

Deixa os bracinhos ao lado do corpo, com as mãozinhas viradas para cima.

Podes fechar os olhinhos, se quiseres, para  te sentires mais confortável e concentrado.

Agora, presta atenção na tua respiração… Puxa o ar pelo nariz e solta o ar pela boca.

Sente a tua barriguinha subir e descer cada vez que respiras.

Repete esta respiração 3 vezes.

Vamos então começar a imaginar…

Tu estás muito feliz! A correr num relvado lindo, cheio de flores e pássaros a cantar…

O sol está a começar a se pôr, mas os seus raios ainda são quentinhos…

O teu sorriso é alegre… Sentes-te forte, saudável e muito amado!

Perto de ti vês a tua família e aqueles a quem amas muito…

Quando olhas para o céu, vês surgir a lua, cheia, grande, e então agradeces pelo lindo dia de sol que tiveste e pela noite que está a chegar…

Dizes em silêncio só para ti: sinto-me feliz e vou adormecer aconchegado nesta sensação de calma e felicidade!

Amanhã acordarei forte e ainda mais feliz!

O papel da gratidão no desenvolvimento pessoal

A Psicologia Positiva é uma nova área de estudo da ciência psicológica, que tem como especificidade o foco no desenvolvimento do potencial humano.

Afinal, todos nós podemos ser melhores do que somos!

Porém, ao longo da nossa história, segundo a Psicologia Positiva, adoptamos uma certa passividade no que se refere à tomada de consciência acerca das nossas reais forças e virtudes, sobre o que verdadeiramente nos faz sentir bem, nos alimenta a “alma” e nos faz crescer como pessoas, dotadas de desejos, vocações e sonhos.

Acostumamo-nos a considerar a queixa como um estado natural da condição humana, sem dar a devida atenção aos efeitos nocivos de tal mentalidade.

Habituamo-nos a esperar “sentados” que o outro mude, que o “milagre” aconteça e pouco ou quase nada nos indagamos sobre os significados implícitos/explícitos das nossas atitudes, da nossa dificuldade de pensar diferente, de fazer diferente e de nos responsabilizarmos pelas nossas decisões/omissões/adiamentos….

Além disso, temos pouca prática em perceber, reconhecer e valorizar aquilo que de bom nos acontece no quotidiano. Temos uma certa tendência a focar nas situações negativas, a lembrar delas como marcos na nossa história.

Contudo, podemos transformar este nosso olhar.

O exercício das 3 Bênçãos, que é em essência um exercício de Gratidão, é um bom ponto de partida para praticarmos esta capacidade de detectar e dar valor a tudo que de positivo nos acontece.

Como o exercício das 3 Bênçãos pode ajudar o nosso desenvolvimento pessoal?

Este exercício nos ajuda a reflectir sobre a nossa capacidade de apontar e ver no outro, isto é, fora de nós (e em nós) aquilo que consideramos importante. O objectivo é desenvolvermos e ampliarmos a nossa capacidade de foco para aquilo que de positivo nos acontece (e podemos fazer).

A proposta é tomar notas, durante uma semana, de três situações/vivências boas ocorridas diariamente. Podem ser situações muito simples, pequenos gestos espontâneos que nos fazem sentir bem ou ver algum sentido nas nossas vidas, mesmo que por alguns segundos.

Juntamente com este ampliar de consciência para o que acontece à nossa volta, este exercício oferece-nos uma oportunidade muito valiosa: é para esta oportunidade que chamo aqui a atenção e considero que este é o seu principal potencial transformador.

Ou seja, através desta simples tarefa, podemos olhar de coração aberto, sem desculpas, para tudo aquilo que escrevemos, como experiências positivas e saudáveis, e perguntar, com toda a sinceridade, se também praticamos estas atitudes.

Se quisermos fazer a diferença e crescer, precisamos começar a promover mudanças em nós, com toda a coragem, colocando em ação tudo aquilo que já sabemos, por experiência, que funciona!

Fica, então, aqui a dica: olhe para si e desenvolva-se!