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Category: Parentalidade

Algumas Dicas para Pais

A parentalidade é um desafio e demanda crescimento psicológico contínuo por parte de cada um dos pais. Educar é uma experiência dinâmica de aprendizagem sobre si, sobre o outro e o mundo, com o potencial de ser promotora de desenvolvimento para todos os envolvidos, no âmbito familiar. Tendo em conta a responsabilidade das funções parentais, destaco alguns aspectos a ter em consideração no dia a dia e dou também algumas dicas para o fortalecimento da relação pais e filhos.

O principal sinal de saúde emocional para adultos, crianças e jovens é a vontade de viver, aprender, construir e relacionar-se. A espontaneidade, a alegria, a vitalidade, a curiosidade, a esperança, o otimismo, o interesse e o empenho nas atividades são excelentes indicadores de bem-estar mental. Óbvio que há dias em que não estamos no nosso melhor. Mas, o importante é perceber se estas características prevalecem na maior parte do tempo ou se existe alguma situação em específico que desencadeia algum tipo de retraimento.

Alguns Sinais de Alerta

Esteja atento/a a alguns sinais comportamentais, cognitivos e emocionais negativos do/a seu/a filho/a: irritabilidade, raiva, preocupação excessiva, insónia ou dificuldades para dormir, desordens alimentares (comer excessivo ou comer muito pouco), dificuldades na interação social ou isolamento, queda no rendimento escolar, dificuldades de concentração, ansiedade ou medos exagerados, tristeza sem motivo aparente, queixas físicas frequentes, desinteresse pelas atividades que habitualmente geravam interesse, etc.

Dicas para Pais

  • Promova oportunidades de diálogo com o/a seu/a filho/a: crie momentos apenas entre você e ele/a. Faça destes momentos uma rotina em vossas vidas, quando possível, no mínimo semanal. Escolham uma atividade lúdica, preferencialmente ao ar livre (ex: sair para tomar um gelado, fazer uma caminhada, etc.), que ambos gostem de partilhar, e que favoreça a comunicação aberta e sincera.
  • Partilhe sentimentos e opiniões positivas com o/a seu/a filho/a. Aproveite para dizer o quanto orgulha-se, ama e admira a pessoa que ele/a é e como você também aprende com ele/a.
  • Lembre-se de não interromper a vossa conversa com telemóveis ou aparelhos eletrónicos. Nestes momentos ambos devem estar focados na relação. Ela é o mais importante. Evite estar com pressa.
  • Procure garantir estas condições e não critique as atitudes do/a seu/a filho/a. Aceite que ele/a também está a se adaptar a esta nova experiência e pode oferecer alguma resistência inicialmente. O importante é irem tentando e percebendo quando, com que atividades, resulta melhor a vossa interação.
  • Nos momentos de diálogo, evite dar lições. Escute, tente compreender a lógica de pensamento do/a seu/a filho/a. Faça mais perguntas e dê menos respostas. Mostre interesse por ele/a.
  • Ajude o/a seu/a filho/a a exercer a capacidade de solução de problemas ao questionar: Como achas que podes resolver/lidar com isto? O que faz-te pensar que esta é a melhor solução?  Que outras alternativas poderias pensar? Qual o primeiro passo a dar?
  • Deixe claro que o/a seu/a filho/a pode pedir ajuda a si, sem medo. Ele/a não precisa sempre saber e acertar tudo à primeira. O importante é identificarem aquilo que o/a pode ajudar a conseguir, a se desenvolver. É assim que ele/a vai nutrindo o senso de competência pessoal. Valorize e reconheça os progressos alcançados.
  • Defina limites claros e as suas respetivas consequências quando não respeitados, nunca colocando em causa o amor que sente pelo/a seu/a filho/a. As consequências devem fazer sentido e devem promover a autorreflexão.
  • Estabeleça rotinas em casa e promova um estilo de vida saudável para toda a família, com prática desportiva, alimentação equilibrada, horas suficientes de sono, lazer, etc…
  • Respeite a necessidade de privacidade do/a seu/a filho/a e permita que ele/a gradualmente tenha autonomia, ajudando-o/a a adquirir ao longo do desenvolvimento independência física e emocional.

Recomendações finais

Mantenha em dia o acompanhamento da saúde do/a seu/a filho/a, respeitando as orientações médicas e, em caso de dúvidas, procure sempre um profissional de saúde da sua confiança.

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A Psicologia Positiva e o seu contributo à infância

A Psicologia Positiva é uma nova disciplina científica da Psicologia que se dedica ao estudo das características positivas das pessoas e instituições com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e prevenir patologias. Tem por objetivo principal a promoção do bem-estar e do florescimento humano.

Através da compreensão daquilo que está bem no indivíduo, a Psicologia Positiva ampliou o foco da Psicologia,  tradicionalmente restrito ao entendimento, correção e tratamento das fraquezas e do mal-estar – para incluir uma perspectiva mais otimista acerca do potencial humano.

O cultivo da autenticidade, do crescimento pessoal, do significado e da excelência fazem parte da natureza inata do ser humano e são ingredientes fundamentais para a felicidade.

É com base neste olhar sobre a pessoa, sempre em desenvolvimento, que a Psicologia Positiva se revelou uma importante área a se aplicar à infância.

Perceber o desenvolvimento como um fenómeno único, individual e idiossincrático, que merece acontecer, para o seu pleno florescer, num ambiente positivo, que reconhece e cultiva as forças e virtudes humanas – é o principal contributo da Psicologia Positiva aplicada à infância.

Todos aqueles que convivem com crianças, que são responsáveis pela sua educação e desenvolvimento, podem aprender e aplicar muitos destes conhecimentos no quotidiano.

Utilizar a Psicologia Positiva no dia a a dia com a criança significa aprender a estar consciente e a reconhecer as forças e virtudes desta, com ganhos em termos da qualidade da comunicação e da relação.

Para além disso, nós adultos também temos o nosso conjunto único de forças e podemos usar a nossa consciência acerca do nosso próprio potencial de desenvolvimento e crescimento para construir contextos educacionais  e parentais florescentes.

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Burnout e função parental: quem cuida também precisa ser cuidado e não “padecer no paraíso”

A síndrome de Burnout é uma condição patológica caracterizada por esgotamento mental e físico. Mas, como esta condição pode acontecer no contexto da dedicação parental? Ou seja, o cuidado dos filhos e a dedicação à vida familiar podem gerar esgotamento?

Sim, podem, principalmente quando o cuidador exerce as funções materna e/ou paterna sem qualquer apoio ou parceria emocional. Quando estas funções viram responsabilidades exclusivas de uma só pessoa. Neste caso, não importa se a pessoa em questão é do sexo feminino ou masculino, mãe ou pai biológicos. As funções parentais são extremamente exigentes tanto do ponto de vista físico como emocional.

Cuidar envolve estar constantemente atento e alerta à comunicação verbal e não verbal  do outro, de modo a atender às suas necessidades físicas/corporais (alimentar, banhar, fazer adormecer, etc) e relacionais (escutar, compreender, antecipar, prever, dialogar, acalmar, incentivar, etc).

Infelizmente o cuidado dos filhos e a dedicação à vida doméstica são actividades pouco valorizadas, no que se refere à sua carga física e psíquica, tendo por crença subliminar a ideia de que tudo o que é feito com amor não custa. O cansaço e as exigências emocionais são vistos nessa óptica como um padecer que é ao mesmo tempo reconfortante… é um “padecer no paraíso”.

A queixa por parte daquele que exerce as funções parentais, no âmbito das responsabilidades para com a família, a casa e os filhos, é geralmente mal interpretada gerando culpa em quem pede ajuda e reclama por apoio, atenção, companheirismo e cuidado. Há pouco diálogo franco e aberto nas relações para entender o outro na sua dor, nos momentos em que ele sinaliza que está no limite dos seus recursos internos. Estes podem ser postos à prova  inclusive por tocarem em pontos difíceis, relativos à própria história de maternagem e/ou paternagem deste cuidador.

A experiência de se sentir esgotado ou incapaz é constantemente menosprezada nesses contextos, como se aquele que sofre e pede socorro estivesse a falhar, no que diz respeito ao desempenho de uma função tão nobre e supostamente natural. Alguns até dizem que nascemos programados para amar e, nesta lógica, quando os conflitos aparecem ganham uma conotação de fracasso e má vontade. Interpretação que leva a brigas e discussões infrutíferas, ao invés de servirem de oportunidade para o autoconhecimento e crescimento pessoal e do casal/família.

A tarefa de amar, zelar e apresentar o mundo implica desafios que mudam ao longo do tempo, pois reflectem as demandas do próprio desenvolvimento das crianças, do casal, das pessoas enquanto indivíduos e da família.

Afinal, quem cuida também precisa ser cuidado, atendido em suas necessidades físicas e emocionais. Porém, somente cada um pode falar de si e expressar aquilo que precisa. Não há receitas para apoiar devidamente. O melhor caminho é estar disponível, acolher e pô-se em ação, respeitando e dialogando sobre o que se sente e é sentido. Não basta apenas cumprir um check list de tarefas, é preciso estar junto e ser companheiro também emocionalmente.

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Meditação com crianças para hora de dormir!

A meditação com crianças é uma prática que auxilia o autoconhecimento e o autocontrolo emocional. Aprender a se acalmar, relaxar e aquietar corpo e mente, através de visualizações e controle consciente da respiração, promove benefícios a nível do bem-estar físico e mental e das funções cognitivas.

Para além destes ganhos, quando os pais ou cuidadores participam desta experiência, o vínculo emocional, os sentimentos de segurança e o amor também se fortalecem.

Partilho uma meditação, para a hora de dormir, criada por mim e que pode ser adaptada à linguagem e expressão de cada família. Aproveitem e criem juntos novas meditações para o dia a dia!

É importante, no momento da prática, que estejam num local calmo, tranquilo e confortável. A criança preferencialmente deve estar na caminha dela, deitada com a barriga para cima e as mãos estendidas ao longo do corpo.

A meditação deve ser conduzida sem pressa ou distracções (desliguem ou silenciem os telemóveis!).

Meditação para a hora de dormir!

Sou feliz!

Deixa os bracinhos ao lado do corpo, com as mãozinhas viradas para cima.

Podes fechar os olhinhos, se quiseres, para  te sentires mais confortável e concentrado.

Agora, presta atenção na tua respiração… Puxa o ar pelo nariz e solta o ar pela boca.

Sente a tua barriguinha subir e descer cada vez que respiras.

Repete esta respiração 3 vezes.

Vamos então começar a imaginar…

Tu estás muito feliz! A correr num relvado lindo, cheio de flores e pássaros a cantar…

O sol está a começar a se pôr, mas os seus raios ainda são quentinhos…

O teu sorriso é alegre… Sentes-te forte, saudável e muito amado!

Perto de ti vês a tua família e aqueles a quem amas muito…

Quando olhas para o céu, vês surgir a lua, cheia, grande, e então agradeces pelo lindo dia de sol que tiveste e pela noite que está a chegar…

Dizes em silêncio só para ti: sinto-me feliz e vou adormecer aconchegado nesta sensação de calma e felicidade!

Amanhã acordarei forte e ainda mais feliz!

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